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HISTÓRICO DE CURITIBA

I. AS ORIGENS

Da história oficial, documentada em cartas e ordenanças, temos que pelo menos desde meados do século XVII a região de Curitiba recebeu desbravadores que vinham em busca do ouro. Na década de 1650, Ébano Pereira indicava a existência do metal precioso nos campos de Curitiba, e pedia auxilio para os pioneiros que ali se instalavam. O ouro foi pouco. Mas a fertilidade da terra e a adequação do planalto curitibano para a pastagem fixou um pequeno núcleo de povoamento que em 1693 foi elevado à categoria de Vila.

Vila Nossa Senhora da Luz
Vila Nossa Senhora da Luz - Alfredo Andersen

No ano de 1721, o Ouvidor Pardinho editou provimentos que seriam o início da organização da vila de Curitiba. Mandava o oficial português que as ruas fossem "alinhadas com corda", ordenava também que os quintais fizessem linha no fundo das casas e que os habitantes cuidassem dos ribeirões e mantivessem as ruas limpas. No entanto, para além das ordens oficiais, os primeiros anos de Curitiba ficaram marcados pela solidariedade e cooperação dos próprios habitantes. Isso mesmo em um período de dificuldades, quando o ouro escasseava e outras atividades econômicas ainda não tinham estabelecido o passo seguro rumo à riqueza.

A Fundação de Curitiba
A Fundação de Curitiba obra de João Turin, 1943, alto relevo, em bronze

Foi assim que, desde esses primeiros anos, dois dos traços que marcam a cidade no imaginário brasileiro deram seus primeiros passos. Por um lado, o estabelecimento da organização pelo poder público, a ordem e o planejamento de um lugar que se tornaria um dos maiores centros urbanos do país. De outro, essa coordenação oficial foi impulsionada pela disposição de seu povo ao trabalho e pelo espírito comunitário que fez a administração desses tempos mais um resultado da cooperação do que dos impostos, como narraram importantes historiadores paranaenses.

II. A GENTE E O DESENVOLVIMENTO

Se no século XVII os primeiros povoamentos foram provocados pela perspectiva da mineração, a fixação se deu em razão das férteis terras que possibilitaram a agricultura de subsistência, e, já no início do século XVIII, a pecuária começou a se destacar.

Apesar da importância das atividades pecuária e agrícola para fixação no território, seria o tropeirismo o primeiro ciclo econômico da região. Há notícia de que a primeira tropa a passar pelos "campos de Curitiba" data de 1731, com mais de dois mil cavalos, éguas e muares. A partir de então, os tropeiros que conduziam o gado e animais de carga entre o Rio Grande do Sul e a Feira de Sorocaba, em São Paulo, paravam na região de Curitiba, onde os homens descansavam da longa jornada e a "mercadoria" recuperava peso. Durante o século XVIII e boa parte do XIX, essa atividade ajudou a desenvolver o comércio da região e algumas atividades auxiliares.

Escultura de Erbo Stenzel
Escultura de Erbo Stenzel na Praça 19 de Dezembro, em Curitiba. Detalhe do painel, em bloco de granito, que retrata a saga dos colonizadores

Documentos indicam que em meados do século XVIII, o distrito de Curitiba possuía 2.500 habitantes e 348 casas; em 1780, já contava 3.194 habitantes, dos quais 848 eram escravos. Nessa época, faziam parte do distrito mais de uma dezena de localidades, entre as quais estão alguns dos atuais bairros de Curitiba.

Todavia, o mais pujante ciclo econômico tradicional da cidade lhe foi reservado pela natureza. A erva-mate, planta natural de uma região relativamente pequena da América do Sul, que engloba Curitiba, se tornaria o produto por excelência da cidade. E à exportação dessa planta, utilizada no chimarrão principalmente pelos povos da Argentina, do Paraguai e das porções sulinas do Brasil, Curitiba deve muito de seu desenvolvimento.

Desde os anos de 1830, engenhos para o beneficiamento do mate começam a se instalar em Curitiba. Muitos outros engenhos seguiram os pioneiros. Aliás, contavam os visitantes do século XIX que, nesta região da cidade, o cheiro da erva e sua cor verde característica ficava impregnado nas roupas de quem passava por lá.

Em 1818 a população de Curitiba somava 11.014 habitantes, sendo 9.427 indivíduos livres - 6.140 brancos, 3.036 mulatos e 251 negros - e 1.587 escravos, sendo 544 mulatos e 1.043 negros. Esta foi a matriz populacional de Curitiba da primeira metade do século XIX até os primeiros grandes contingentes de imigrantes que começaram a chegar em 1869. Ao longo do século XIX essa população praticamente quintuplicaria, chegando a pouco mais de 50.000 habitantes na virada para o século XX. Foi durante esse período que, pela Lei Imperial nº 704, de 29 de agosto de 1853, Curitiba foi elevada à categoria de capital da recém-criada Província do Paraná.

A emancipação do Paraná, as primeiras empresas e empresários que lideraram o desenvolvimento da cidade, muito da urbanização, algumas casas que até hoje chamam a atenção pela sua beleza arquitetônica e mesmo a Universidade Federal do Paraná, uma das mais antigas do Brasil e que completa seu centenário agora são produtos deste ciclo econômico. Mesmo a vocação tecnológica de Curitiba já se destacava na época do ciclo do mate, pois não foram poucas as inovações ligadas ao complexo beneficiamento e acondicionamento do produto para a exportação.

Em 1853, o presidente da nova província, juntamente com as elites locais, decide que cidade deveria sofrer intervenções em sua forma de ocupação, numa tentativa de organizar a capital. Dessa forma, em 1854, o francês Pierre Taulois foi encarregado de estabelecer novos traçados para Curitiba. A partir de 1857, Taulois estabeleceu modificações no traçado das ruas da cidade onde as avenidas passaram a ser desenhadas em linhas retas com cruzamentos em ângulos retos para facilitar a circulação. A cidade se organizou em uma área plana, rodeada de morros na parte norte e cortada por rios, que correm no sentido norte para o sul.

Mapa do centro da cidade de Curitiba
Mapa do centro da cidade de Curitiba ao final do século XIX (1894)

Mas o século XIX, no que diz respeito à gente de Curitiba, não só testemunhou um simples crescimento populacional, mas também foi o tempo em que os imigrantes mudaram os jeitos e a fisionomia do povo da cidade. Das várias nacionalidades vindas para o Paraná, os alemães, os espanhóis, os italianos, os japoneses, os judeus, os ucranianos, os poloneses,  os sírios e os libaneses foram os principais grupos que escolheram Curitiba como o novo lar.

E lar é uma palavra ideal para chamar a Curitiba que resultou da mistura dos que já estavam com os novos habitantes. Vemos a influência da imigração nos pratos típicos, na arquitetura, nas tradições e nos traços da gente curitibana. Até nos nomes das pessoas, que nós, falantes do português temos muitas vezes dificuldades para pronunciar, vê-se a marca da imigração.

III. O PASSADO RECENTE

Com o crescimento populacional, o quadro urbano foi ampliado e iniciou-se o processo de hierarquização da cidade, representada pela divisão dos locais de moradia conforme a classe social e atividades econômicas. No início do século XX, as áreas do Rebouças e do Portão foram reservadas para fábricas e moradias operárias.

O Plano Agache desenvolvido pelo engenheiro francês Alfred Agache entre 1941 e 1943, previa um crescimento radial da cidade, sendo definidas áreas para habitação, serviços e indústrias, bem como reestruturação viária e medidas de saneamento.

Uma cidade de configuração viária radiocêntrica que ligava radial e perimetralmente setores e áreas especializadas. Nasciam assim o setor industrial do Rebouças, a Cidade Universitária, o Centro Militar no Bacacheri e o Hipódromo do Prado Velho.

Em decorrência disso foi aprovada em 1953 a primeira Lei de Zoneamento de Curitiba, confirmando a região do Rebouças como distrito industrial da cidade. O mapa a seguir retirado do trabalho de Agache mostra bem as funções da cidade que definitivamente começava a ser planejada.

Plano AGACHE
Plano AGACHE e as funções da cidade

O Plano Agache é parcialmente implantado e, em 1960, é aprovado o Plano Piloto de Zoneamento de Uso, estabelecendo uma nova divisão da cidade. Com a necessidade de um novo plano diretor, a Prefeitura de Curitiba promove em 1964 um concurso público com a finalidade de instituir o novo plano. Em 1965, a proposta vencedora Serete/Jorge Wilheim Arquitetos Associados estabelece o Plano Preliminar de Urbanismo com uma concepção de crescimento linearizado, através de eixos estruturais e que tinham com base o tripé Uso do Solo, Transporte e Sistema Viário.

O Plano Preliminar de Urbanismo foi assessorado por uma equipe da Prefeitura através da Assessoria de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, mais tarde, no mesmo ano, transformada em Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC). O texto definitivo do agora chamado Plano Diretor de Urbanismo virou lei em julho de 1966.

O IPPUC é criado assim para elaborar o Plano Urbanístico de Curitiba, desenvolver estudos e pesquisar urbanas e monitorar a implementação do Plano. Este possuía como diretrizes básicas a hierarquização do sistema viário, o zoneamento e a legislação de uso do solo, a regulamentação dos loteamentos, a renovação urbana, a preservação e revitalização dos setores históricos tradicionais e a oferta de serviços públicos e equipamentos comunitários.

Ainda nos anos 60, discutia-se um novo espaço na cidade para abrigar o então esgotado distrito Rebouças. No contexto de uma política nacional de descentralização industrial e tendo em vista a necessidade de alterar a dinâmica produtiva paranaense baseada fortemente na agricultura, foi lançado em 1973 o projeto da Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Definindo uma área para fins de utilidade pública, foram desapropriados cerca de 27,6 milhões de metros quadrados, mais de 60% da área total da CIC.

A CIC foi instalada na região oeste a 10 km do centro. Seus 43,4 milhões de m² correspondem a 10% da extensão territorial total da cidade. Foram oferecidos incentivos fiscais, como isenção de ICMS e IPTU, financiamentos de longo prazo de terrenos e serviços de demarcação de áreas e terraplanagem. O período mais intenso de industrialização ocorreu entre as décadas de 70 a 90, quando cerca de 90% das empresas iniciaram suas atividades.

Praticamente toda a infraestrutura urbana foi adaptada para proporcionar condições adequadas à nova organização espacial exigida para o bairro que concentra o maior número de indústrias do município e o mais populoso, hoje com aproximadamente 180 mil habitantes.

A marca profunda na evolução econômica de Curitiba no século XX foi a consolidação da indústria no perfil da cidade, inclusive com a incorporação de grandes empresas multinacionais, derivando disso impactos sociais e urbanos que caracterizam uma grande cidade industrializada.

Largo da Ordem
Largo da Ordem - Poty Lazzarotto

No início da década de 80, o Brasil iniciou uma transição para um modelo mais democrático e a partir das eleições de governadores de Estado e dos novos prefeitos das capitais. Foram estabelecidos novos métodos de administração que aprofundaram o processo de democratização do país. Em Curitiba, assume Maurício Fruet que marcaria o início de um novo momento político para a cidade. Um novo modelo que sem vestígios de um ambiente repressor, que restringisse a liberdade de pensamento ou com pressupostos autoritários. Não havia mais espaço para imposição de projetos de cima para baixo, sem a participação das comunidades e da população curitibana. Foi um período de grande idealismo e também rico em iniciativas para dar conta das novas configurações sociais e econômicas, causadas pelo crescente êxodo rural e pela concentração migratória dessas populações nas periferias das metrópoles.

Em Curitiba, essa ocupação se deu em grande parte na região sul da cidade, levando a uma necessidade de responder a esta demanda social, tanto no que se refere à questão habitacional como no âmbito do atendimento da saúde e educacional. O conceito era a Curitiba Participativa. Foi um período também de grande valorização dos servidores da prefeitura municipal de Curitiba. No período foram reconhecidas e organizadas mais de 500 associações de bairros e moradores. Foi assegurada, no período, a participação da população nos centros decisórios do poder municipal. Participação e um amplo diagnóstico que foi refletido na construção do Plano de Ação que estava embasado em três diretrizes: favorecer o aumento e a distribuição social da renda; democratizar o uso da cidade e de seus equipamentos; e favorecer a participação de todos os segmentos da população na gestão da cidade.

Outro fenômeno importante das últimas décadas foi o transbordamento do crescimento de Curitiba para as cidades vizinhas, fazendo com que hoje não seja mais possível entender a dinâmica econômica e social da cidade sem considerar o contexto metropolitano.

Exemplo disso são as grandes empresas nacionais e internacionais que se instalaram nos anos recentes nas demais cidades da RMC. Portanto, do ponto de vista das políticas de desenvolvimento, doravante as políticas públicas municipais, estadual e federal devem considerar que "a cidade real" extrapola os limites político-administrativos de Curitiba.

A Lei de Uso e Ocupação do Solo foi se alterando ao longo dos anos até que em 2000 foi revista. A Lei 9800/2000, atualmente em vigor, define 42 zonas de ocupação agrupadas em zonas de uso misto, residenciais, de serviço, de transição, eixos de adensamento e de habitação de interesse social, de proteção ambiental.


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